O Idoso e o Mercado de Trabalho

“A velhice vem ocupando uma posição de destaque no rol das discussões científicas e governamentais, no sentido de oferecer aos idosos um envelhecimento ativo e bem-sucedido” (Araújo, Coutinho & Saldanha, 2005).

A integração desta faixa da população no mercado de trabalho, apresenta ainda grandes lacunas e causa grande preocupação. Como observamos no documentário Espaço Cidadão – Idosos non mercado de trabalho, é ainda dificil enci«ontrar trabalho após os 51 anos, como relatou a entrevistada, Eva Rodrigues, onde afirmou ”ter sido grandes dificuldades em encontrar trabalho devido à sua idade de 51 anos”. No entanto os idosos entrevistados demostraram grande vontade em trabalhar, referindo até “que fazem as suas tarefas com grande empenho, gosto e prazer”

De referir que nem todos os empregadores tem um olhar negativo sobre estes trabalhadores, alguns afirmam até que ” são pessoas com um maior comprometimento e responsabilidade e que executam as suas tarefas com responsabilidades e exatidão”.

“Um dos valores e princípios comuns europeus mais importantes para as sociedades democráticas e desenvolvidas é o da solidariedade, nomeadamente o da solidariedade intergeracional. Esta solidariedade pode ser afetada por atribuições, conceções ou ideias dominantes nas nossas sociedades sobre os idosos “ (Carneiro; Chau; Soares et al, 2012)

Esta perspetiva demonstra claramente que a discriminação contra os idosos pode afetar as sociedades, atentando aos valores, normas e éticas.

Cequeira (2010 cit in Carneiro; Chau; Soares et al, 2012), alerta para dois grandes riscos, o primeiro que se refere aos princípios éticos e democráticos e às suas consequências para a sociedade (e, em particular, para as pessoas idosas). De acordo com o autor “o ideal democrático assenta em que cada indivíduo deve ser julgado pelo seu mérito e não pelas características atribuídas ao seu grupo (baseadas no género, na raça e etnia, ou na idade, por exemplo).” Assim quando devido à idade é realizado um tratamento diferenciado, “viola-se o princípio democrático do direito à liberdade e o princípio ético da igualdade no trato.”, dando assim luagar a conflitos entre as gerações, que prejudica a ordem social.

O segundo risco relaciona-se com o “embuste do pressuposto em que o conceito de idadismo se sustenta: a suposta homogeneidade. Sabe-se, todavia, que a população idosa é mais heterogénea do que a das restantes faixas etárias nas dimensões cognitiva, física e social.”

Torna-se fundamental que os iodos se façam ouvir “enquanto grupo social “ de forma a promover a mudança e e a quebra dos preconceitos e estereótipos relativos à sua idade e capacidades, podendo assim abrir caminhos que levem à conquista do seu espaço na sociedade. (Rodrigues, L & Soares, G, 2006).

BIBLIOGRAFIA

Araújo, L, Coutinho, M & Saldanha, A. (2005, Maio-Agosto). Análise comparativa das representações sociais da velhice entre idosos de instituições geriátricas e grupos de convivência. Psico, 36, 197-204

Carneiro, R.; Chau, F.; Soares,C.: et al (2012). O Envelhecimento da População:

Dependência, Ativação e Qualidade - Relatório Final. Faculdade de Ciências Humanas Universidade Católica Portuguesa, acedido a 20/01/2014 em https://www.qren.pt/np4/np4/?newsId=1334&fileName=envelhecimento_populacao.pdf

Rodrigues, L & Soares, G. (2006). Velho, Idoso e Terceira Idade na Sociedade Contemporânea. Revista Àgora, 1-29

Souza, W. (Novembro, 2012). Espaço cidadão-Idosos no mercado de trabalho. [28 min e 35 s]. Brasil: TVAL